Estilo não tem proibições, não tem peça “tem que ter”, não depende do formato do corpo e nem da quantidade de dinheiro na carteira para gastar com roupas. Estilo é expressão e instrumento de comunicação. É de dentro para fora. Por isso, é preciso encontrar o próprio estilo.
E não é procurando no Google nem fuçando os looks alheios que você vai achá-lo! Mas se conhecendo, entendendo a própria personalidade, gosto e objetivos que a gente consegue mapear tudo o que nos compõe.
Só que, embora eu não acredite em certo e errado, alguns equívocos podem rolar nessa trajetória de autoconhecimento. Eu já acompanhei vários desses probleminhas de percurso com as minhas clientes e garanto que errar faz parte do processo.
Para perceber se você está cometendo os mesmos enganos e para tornar esse percurso mais frutífero, saiba quais são os erros mais comuns de quem está tentando encontrar o próprio estilo.
Focar na quantidade de roupas
Você pode ter o closet da Carrie de Sex and the City ou um armário que cabe em uma mala – é o meu caso! Não importa a quantidade de vestidos e calças que você tem, o que faz diferença na sua satisfação com a própria imagem é que cada peça que você tem faça sentido na sua vida. E, também, que ajude a expressar o que você tem de melhor.
Além do mais, em 80% do tempo, a maioria das pessoas usa só 20% do que têm. Então, pode apostar que quem tem um acervo imenso guarda um monte de roupas que não são colocadas pra jogo há meses.
Priorizar a moda
As tendências servem para você deixar seus looks mais atuais. Mas elas complementam, e não protagonizam. As tendências não servem para você se sentir obrigada a comprar e usar todas as novidades. Tampouco para sair fantasiada de alguém que você não é.
Focar só no corpo
Quem nunca procurou no Google: “qual é a roupa ideal para corpo ampulheta”? O problema dessas listas “fáceis” é que elas ignoram um monte de particularidades de cada silhueta. Você pode até ter quadril largo e corpo pera, mas se tiver as pernas longas, elas podem equilibrar suas linhas, disfarçando naturalmente o tamanho do seu quadril. E aí, se você se veste para fazê-lo parecer tão largo quanto os ombros, o resultado não vai ser o que você deseja.
Além disso, vestir-se só para diminuir quadril, aumentar busto, ou disfarçar qualquer “defeito” que você sinta que tem não vale a pena. Primeiro porque você já vai sair de casa se sentindo toda errada. Segundo, porque raramente esses “truques” funcionam.

Varrer seus pontos positivos para debaixo do tapete
Nosso estilo expressa nossa personalidade. Mas muita gente tem algumas características que são interpretadas como defeitos e, por isso, prefere escondê-las. Como resultado, nunca se sente devidamente representada na própria imagem. Será que não são justamente as características que você tenta disfarçar que te tornam única?
Pense bem: onde fica a linha imaginária que delimita o que é força e o que é agressividade? E a fronteira entre doçura e ingenuidade, quem decide onde fica?
Esses limites são relativos e, por isso, um defeito pode ser entendido como uma qualidade. É por isso que, na ânsia de esconder o que pode não agradar, muita gente acaba apagando o próprio brilho.
Tentar criar um estilo
Com o desejo de encontrar o próprio estilo, há quem decida encurtar o processo adotando o estilo alheio (ou partes do estilo de várias pessoas). É uma tentativa de definir um estilo para si e se encaixar nele. Eu entendo esse desejo, mas garanto que não dá certo. É que o processo de encontro vai no caminho oposto. Em vez de pegar referências e tentar se encaixar nelas, é preciso encontrar essas referências dentro de si e descobrir maneiras de externalizá-las.
Eu sei que há momentos na vida em que mudamos de fase e as roupas de antes não se encaixam mais em quem a gente é. Mas isso não quer dizer que o seu estilo não te serve mais e você precisa de um novo. Só que ele também está em outra etapa.
É como uma noz. Sim, uma noz, aquela frutinha bem seca que as nossas avós colocam na mesa no Natal. Você já viu uma noz na natureza? Ela é um fruto verde, parecido com um limão. Mas ainda é uma noz. Seja com a casca verde, ou dentro da casquinha dura e quebrável, ou aquele pedacinho que a gente come, ela muda a apresentação, mas não deixa de ser o que é.
O estilo funciona do mesmo jeito. É mutável, versátil, muda de fases, mas tem uma essência, algo que permanece lá no fundo e que serve de fio condutor para cada uma dessas etapas.
Você já cometeu algum desses 5 erros na tentativa de encontrar seu estilo? Conta pra mim nos comentários como foi, ou como tem sido essa busca interna.