Sempre que eu falo em aulas e lives sobre descobrir o próprio estilo e encontrar os próprios padrões, muitas mulheres trazem uma questão muito importante. Depois desse processo de autoconhecimento, como traduzir isso na minha imagem se, no fundo, eu tenho medo de mostrar meu estilo?

Esse é um ponto que não dá para ignorar. Enquanto esse medo não for reconhecido, analisado e trabalhado, esse processo de libertar o próprio estilo não vai avançar. Por mais que você entenda seus padrões, vai sempre ser difícil sair com as roupas que te representam de verdade. Pelo simples fato de que sempre que você as veste e se olha no espelho, acha que tá demais, que tá errado.

Por que tenho medo de mostrar meu estilo?

tenho medo de mostrar meu estilo
Foto de Kat Jayne no Pexels

Em mais de uma década atuando como consultora de imagem, eu percebi que sempre que uma cliente me diz “Eu tenho medo de mostrar meu estilo”, ela está às voltas com pelo menos uma de três questões principais.

  1. “Tenho medo do que os outros vão pensar”. Tem gente que mora em cidade pequena e as pessoas comentam, tem gente que tem medo do que vão dizer no escritório, e há quem tema a reação da família diante de uma mudança no visual;
  2. “Tenho medo de chamar atenção”. Nesse caso, a pessoa sente que, se for olhada, algo ruim vai acontecer. E pode ser que seja um medo real. Se o ambiente de trabalho for machista, se o trajeto diário for perigoso, pode ser que chamar atenção represente mesmo um perigo. Mas é preciso analisar se é isso mesmo, ou se esse medo tem uma origem mais abstrata, tipo, “seu eu chamar atenção vou ofuscar tal pessoa”;
  3. “Os outros vão sentir inveja de mim”. Esse geralmente vem como consequência do medo de chamar atenção. Há quem acredite que a inveja alheia vá dar azar, que os outros vão botar mau olhado ou tentar prejudicar a pessoa que assumir o próprio estilo.

E se eu não lidar com os meus medos?

A gente sempre tem medo, em algum grau, do que os outros vão pensar. Não tem jeito! O ser humano é um ser social, que quer pertencer. Então, não existe essa de não se importar com nada e vestir tudo o que der na telha.

A questão é que, como bem disse Elizabeth Gilbert no livro A Grande Magia, já que o medo sempre vai estar lá, a gente pode colocá-lo no banco de trás e permitir que interfira somente quando necessário, ou deixá-lo conduzir o carro. E é melhor colocá-lo quietinho no banco de trás, né?

Então é importante que a gente identifique e lide com os medos, entenda de onde eles vêm, tire o poder deles. É a partir disso que a gente vai se sentir livre pra usar as peças que gosta.

Só que lidar com os medos nem sempre é simples, e geralmente esses medos aí que eu citei são só a ponta de um profundo iceberg. Por isso, vale a pena investir tempo e energia fazendo psicanálise ou outra psicoterapia. Estilo é sobre autoconhecimento, afinal. E se conhecer e resolver as próprias questões ajuda a gente a progredir nesse e em vários outros campos da vida.

Como posso encarar a situação?

Embora um psicanalista possa te conduzir com muito mais assertividade por esse processo, eu sugiro algumas perguntas para se fazer, que podem ajudar a evitar que o medo te paralize.

  • Se você tem medo do que vão falar: quem vai falar, exatamente? Quem são “os outros”? São seus pais? É a sua melhor amiga? Ou é um desconhecido na rua? Às vezes o outro é abstrato, a gente nem conhece, mas molda um monte de coisas na vida com base no que esse alguém imaginário pode pensar. E se o outro é real, então qual é o peso do que essa pessoa fala? Ela vai se importar mesmo com a sua roupa?
  • Se você tem medo de chamar atenção: receber atenção pode te trazer consequências negativas concretas, como ser assaltada, por exemplo? Ou será que você só não se autoriza a se destacar em um ambiente? E se você não se autoriza, o que perderia se fosse o ponto destoante do lugar? Se você quer pintar o cabelo de verde e é designer, uma profissão super criativa, provavelmente não vai enfrentar nenhum problema real no ambiente de trabalho. Mas se você tem uma profissão mais conservadora, pode tentar encontrar um meio termo para não se anular, como fazer mechas discretas ou usar aplique.
  • Se você tem medo da inveja alheia: vale refletir qual vai ser a pior consequência dessa inveja. Porque, a menos que você tenha uma chefe invejosa que possa atrapalhar seu crescimento profissional, deixar de vestir algo por causa de outra pessoa é dar muito poder para ela, não? A inveja é problema de quem sente, e não seu.

A gente não consegue resolver problema que não identifica. Então, depois de entendidas as origens do medo, você está mais preparada para entender qual é o extremo da manifestação do seu estilo e até onde consegue ir.

Se o trajeto que você faz é perigoso, se o ambiente de trabalho é machista, se a empresa é conservadora… Tudo isso vai fazer diferença nessa avaliação. Mas é possível, sim, encontrar um meio termo onde você não se prejudique, mas também não se anule.

E se o seu medo não tiver causas tão concretas assim, vamos convidá-lo a sentar no banco de trás e ficar quietinho, porque quem vai dirigir é você, né?

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